quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Lar de idosos nos Mares pede socorro

Uma dívida de R$ 7 mil com contas de telefone, luz e água e de R$ 24 mil com o aluguel tem tirado o sono de Irmã Cícera, fundadora do Lar Irmã Maria Luíza, nos Mares, em Salvador. Com 20 anos de existência, o asilo – que hoje funciona em três casarões antigos no bairro –, abriga cerca de 50 idosos e idosas. “Necessitamos de tudo, mas a maior carência hoje é de dinheiro, para pagar as dívidas”, apela.

O tudo a que se refere Irmã Cícera inclui material de higiene e limpeza, roupas, lençóis, toalhas, comida (especialmente carne, leite, margarina, café e adoçante), ventiladores, colchões hospitalares, fraldas geriátricas e medicamentos, como xarope para a gripe e analgésicos. Alguns dos idosos assistidos pelo Lar Irmã Maria Luiza foram abandonados pela família e não têm qualquer tipo de renda. Outros residentes contribuem para sua subsistência da casa com a própria aposentadoria.

A situação da instituição se agravou quando deixou de receber do governo estadual a verba de R$ 220 por idoso, que rendia mensalmente em torno de R$ 11 mil. "Cortaram a verba e, quando chegou em abril, que geralmente o convênio era renovado, nada”, lembra a caridosa. Segundo a cuidadora Elisabete Maria da Silva, o dinheiro doado por algumas famílias nem chega a pagar o salário dos funcionários do asilo. Outras despesas têm ficado por conta da caridade, mas o aluguel de uma das casas, por exemplo, custa R$ 3 mil por mês, e não tem sido pago.

Segundo informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), responsável pelas políticas de assistência social no Estado, o convênio não foi suspenso. Com a troca de governo – e a posse do governador Jaques Wagner, representante de oposição histórica ao governo anterior – todos os convênios foram avaliados por técnicos da Superintendência de Assistência Social da Sedes e as verbas redistribuídas. Ao lar passou a caber a quantia de R$ 60 para cada assistido. Segundo a Sedes, a direção da instituição preferiu não renovar o convênio.

Ainda segundo a assessoria, as instituições conveniadas com o Estado têm que cumprir determinadas exigências relativas a acomodações e assistência. Oferecer atendimento médico e psicológico, por exemplo, eleva o valor a ser recebido. No caso do Lar Irmã Maria Luiza, os idosos contam apenas com moradia, alimentação e medicamentos. Por isso, além de doações, o asilo também aceita oferta de serviços de profissionais de saúde.

Serviço
O Lar Irmã Maria Luiza não deixou de atender aos cerca de 50 idosos que atende desde que deixou de receber a verba do governo. Desde janeiro, passou a sobreviver basicamente de caridade e do auxílio de algumas famílias dos idosos. Por isso, pede doações de comerciantes, empresários e da sociedade em geral. A conta corrente para depósito é 235683-8, na agência 0904-0 do Banco do Brasil.

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