A sífilis congênita provocou a internação de 24.761 crianças, entre 2000 e 2005, no Brasil gerando um custo superior a R$ 10 milhões aos cofres públicos. A doença, que pode ser tratada durante a gravidez, pode causar cegueira, surdez e deficiências mentais no bebê. Para chamar a atenção sobre a importância da prevenção e controle da enfermidade, a Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST)/Regional Bahia, com o apoio da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), promove neste sábado (27), Dia Mundial de Combate à Sífilis, uma série de atividades educativas no Campo Grande.
Haverá estandes disponibilizando material educativo e orientações sobre prevenção à doença, além de apresentação de grupos de estudantes, entre eles, alunos da Escola Luís Rogério de Souza, de Camaçari. Estão programados pronunciamentos de representantes de instituições públicas e entidades envolvidas com o assunto, além de um abraço simbólico na praça. O evento, realizado das 8h às 11h, tem o apoio do Centro de Referência Estadual de DST/Aids (Creaids), órgão da Sesab.
A programação do Dia Nacional de Combate à Sífilis prosseguirá no próximo dia 9, pela manhã, no auditório do Creaids (Garcia), onde acontecerá o evento Elimina Sífilis, com sessão de posters, conferência e mesa-redonda. O encontro será aberto com uma conferência sobre o tema O papel da Atenção Básica no Enfrentamento da Sífilis e sífilis Congênita. Em seguida, acontece mesa-redonda, tendo como moderador o presidente da SBDST/Bahia, abordando os seguintes temas: Epidemiologia da Sífilis (Cristina Meira, da coordenação estadual de DST/Aids), Diagnóstico da Sífilis Congênita (Lícia Moreira, pediatra do Hospital Universitário Professor Edgar Santos) e A importância da penicilina na rede de atenção primária.
O dia nacional de combate à doença foi instituído há um ano, com o objetivo de chamar atenção da população, gestores, profissionais de saúde e de educação e da mídia para a importância da prevenção e controle da doença.
Sexo desprotegido
O médico Roberto Fontes, presidente da SBDST/Bahia, esclarece que a sífilis é transmitida principalmente através de relações sexuais desprotegidas e, durante a gestação, pode atingir o bebê. “Neste contexto, o agravo permanece como um grave problema de saúde pública e seu controle ainda é um desafio”, observa o médico.
Segundo Fontes, no Brasil a taxa de prevalência de sífilis em gestantes é de 1,6%, correspondendo a aproximadamente 50 mil grávidas com sífilis a cada três milhões de partos anuais, resultando em 12 mil casos de sífilis congênita. As atividades do Dia Nacional de Combate à Sífilis têm como principal finalidade discutir políticas estratégicas para o controle da doença, com ênfase para a importância do início precoce do pré-natal e da disponibilidade dos exames diagnósticos e tratamento imediato na atenção básica de saúde.
“O momento é de reflexão para a definitiva tomada de decisões por parte dos gestores, dos profissionais de saúde, dos formadores de opinião e da população em geral, para lutarmos juntos para a eliminação de sífilis congênita em nosso estado”, adverte Fontes.
Segundo ele, quando o tratamento é realizado durante a gravidez, a mãe, o companheiro e o filho podem ficar curados. Quando isso não ocorre, a sífilis congênita pode provocar abortamento, pré-maturidade, morte do bebê, além de cegueira, surdez e deficiências mentais”, alerta o presidente da SBSDT/Bahia.