domingo, 2 de dezembro de 2007

Beatificação é cerimônia inédita em Salvador

Salvador ganhou status de diocese, estrutura administrativa que reúne um grupo de comunidades chamadas paróquias, em 1551. Em 1676, obteve o título de arquidiocese, que mantém até hoje. Apesar da antiguidade como sede da administração oficial católica, a capital da Bahia vai viver um momento inédito hoje: será palco de uma beatificação, no caso, a da Irmã Lindalva Justo de Oliveira.
Membro da congregação Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a religiosa foi assassinada no dia 9 de abril de 1993. Ela foi morta por um homem que estava passando dias no Abrigo Dom Pedro II, em Salvador, e que confessou nutrir uma paixão pela religiosa.

Irmã Lindalva recebeu 44 facadas numa Sexta-feira da Paixão. Sua morte foi cercada de simbolismos: havia chegado da Via Sacra – a caminhada penitencial feita durante a Quaresma como preparação para celebrar a Páscoa, maior festa da Igreja – e o número de ferimentos é o mesmo que a tradição da Igreja atribui aos que Jesus recebeu. Isso somando-se às chagas causadas pela crucificação e as marcas deixadas pelas torturas anteriores à sua morte.

Em 2000, foi aberto o processo de canonização da religiosa, e, no dia 16 de dezembro de 2006, o papa Bento XVI assinou o decreto da sua beatificação. A partir de agora, Irmã Lindalva ficará a um passo de ser considerada santa da Igreja e, então, um modelo de virtude para os católicos do mundo inteiro.

Como beata, Irmã Lindalva, inserida na categoria dos mártires – os que morrem defendendo princípios da sua fé –, já terá um culto local. O dia da celebração da sua memória na liturgia católica será 7 de janeiro, data do seu batismo.

Em processos para mártires, não há exigência para comprovação de milagre antes da beatificação, diferente da categoria dos confessores de fé, na qual está incluído o processo de Irmã Dulce. Já para a canonização, é necessário que ele aconteça após o candidato ter sido declarado beato.

“Mas o milagre passa a valer a partir da data de publicação do decreto”, explica o padre Antônio Ademilton de Santa Bárbara, que, ao lado do padre Lázaro Muniz, está coordenando a liturgia da cerimônia de beatificação.

Nem todos os beatos se tornam santos. “É o caso do beato Anchieta”, diz padre Lázaro Muniz. Isto acontece porque alguns processos não avançam após esta etapa, mas o de Irmã Lindalva tem tudo para ir até o fim. Um possível milagre atribuído à sua intercessão está sendo analisado e o seu processo andou rápido. Ele foi aberto em 17 de janeiro de 2000, na Arquidiocese de Salvador. Em 26 de julho de 2002 foi publicada a Positio, que é uma espécie de biografia com o relato das virtudes do candidato a santo.

Comissão – Todo o processo é acompanhado por uma comissão de teólogos do Vaticano. Em 16 de dezembro do ano passado, o decreto sobre a beatificação foi publicado. “O processo é demorado, pois há todo um cuidado da Igreja, afinal ela está escolhendo pessoas que serão consideradas exemplos”, completa padre Ademilton.

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