A garantia de transferir 25 presos para outras unidades do sistema penitenciário na noite deste sábado, além de mais outros ao longo da semana e a promessa de revisão dos processos dos detentos pelo Ministério Público, além do retorno da energia, garantiu o término do motim que começou por volta das 11 horas da manhã e durou seis horas. Uma revista feita policiais nas celas da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), no Complexo dos Barris. Na ação pela manhã os agentes encontraram um celular com carregador, ferramentas de ferro, geralmente usadas como arma, um buraco com profundidade média de um metro - escavado na área em comum das celas - e energia clandestina. Segundo o delegado titular da DTE, Carlos Habib, a retirada dos objetos e o corte da luz provocou a rebelião.
As negociações iniciaram somente após a chegada dos promotores Edmundo Reis e Isabel Adelaide, do Grupo de Ação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do MP. Além de dois representantes dos detentos, o coordenador de operações da Polícia Militar, major Fonseca, e o coordenador do COI, Jardel Peres. “Iremos pedir a interdição da carceragem, a remoção de 50% dos presos e vou verificar o andamento dos processos de cada um deles, pois muitos desconhecem”, disse Reis.
Cerca de 90 detentos estavam na carceragem, que já abrigou 135, e tem capacidade para no máximo 35 presos. De acordo com o delegado, eles fizeram sete colegas, transferidos de outras unidades sob acusação de estupro, de reféns. Usaram chunchos (faca fabricada artesanalmente) para ameaçar. Momentos antes, destruíram as grades das celas, quebraram a canalização da água, e iniciaram um pequeno incêndio, controlado por eles mesmos. Conforme Habib, os presos negaram o almoço e jogaram a comida no chão.
No início da rebelião, os policiais separaram, Ricardo Santana de Jesus - identificado como um dos líderes do movimento, dos demais colegas. Ricardo alegou que a polícia foi a responsável pela invasão. Dois dos reféns estavam com marcas vermelhas pelo corpo. “Por duas horas eles amarraram nosso pescoço e ameaçaram com uma faca”, contou Sinvaldo Ferreira da Silva, acusado de estupro.
Segundo um dos representantes dos presos na negociação tudo foi feito para garantir a integridade dos demais custodiados. Não tentamos fuga e “Essas situações sempre geram represálias por parte dos policiais e queríamos garantir nossa integridade física”, contou Gerson Oliveira, 35 anos, acusado de assalto que reclamou tambpem da qualidade da comida servida no complexo e do socorro médico que demora de 40 minutos a 1 hora.
Policiais militares da choque e da Rondesp, policiais civis do COI (Centro e Operações Integradas) e agentes da DTE e da 1ª delegacia reforçaram a segurança da área. Familiares dos presos em busca de notícias foram mantidos mais afastados. “Soube por um amigo. Estou muito preocupado”, disse o pai de três presos.
A preocupação inicial era controlar a rebelião para que não houvesse ampliação para as duas outras unidades (1ª CP e delegacia de homicídios), que funcionam no Complexo junto com a DTE. A unidade está em área central da cidade, com 250 a 300 presos. Policiais foram mantidos de prontidão em todos os pontos de saída. Apesar de negar a existência de feridos, o delegado Habib solicitou a presença de ambulância e do rabecão (veículo apropriado para transporte de cadáveres, pertencente ao Departamento de Polícia Técnica), no começo da tarde. “Chamamos por precaução”, disse.
Ao todo, a DTE possui 12 celas, todas ocupadas por presos do sexo masculino. Há cerca de 90 dias, as mulheres detentas foram transferidas para a 6ª delegacia (Brotas) e detentos de outras unidades ocuparam suas vagas.

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