Bombeiros e voluntários lutam contra o fogo que há mais de duas semanas devasta a mata nativa nos municípios de Piatã, Abaíra, Rio de Contas e Livramento de Nossa Senhora, na Chapada Diamantina Meridional, a 730 km de Salvador.A dificuldade de acesso aos locais do incêndio tem sido uma das piores barreiras no trabalho dos brigadistas. Ao todo, são mais de 50 focos, alguns com até 20 quilômetros de distância um do outro.
De acordo com Felipe Toe, presidente da organização não-governamental Instituto Sociocultural e Agronegócio da Chapada Diamantina (ISA), ainda não é possível avaliar as proporções do incêndio porque o fogo não foi extinto, mas acredita-se que nessas duas semanas de incêndio mais de dois mil hectares de vegetação foram destruídos, o que inclui matas ciliares dos rios de Contas e do Machado.
Com pesados equipamentos de socorro, bombas d’água manual às costas, pás e facões para abrir clareiras, brigadistas e bombeiros ainda têm como inimigos naturais o fardamento quente, calor de quase 40 graus, chão ardente, fumaça e o próprio fogo, que a qualquer momento pode surpreender e cercar o grupo.
Para cada foco debelado, pelo menos outros dois ou três são provocados em seguida, como nas proximidades da Cachoeira de Livramento, onde somente este mês foram provocados quatro incêndios.
A fuga desesperada de pequenos e grandes animais silvestres em direção á cidade e às rodovias só amplia o drama. A mata nativa perde diariamente entre três e cinco hectares de espécies em extinção da flora, como madeiras nobres, orquídeas e bromélias.
A Serra do Tombador, em Rio de Contas é habitat de onças que percorrem até 50 quilômetros em linha reta por dia à procura de caça no Pico das Almas. Esses animais já foram avistados com filhotes a menos de dois quilômetros do centro urbano, fugindo do incêndio.
Efetivo é insuficiente - O 11º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM) de Lençóis tem um efetivo de 60 homens, mas somente nove foram destacados há nove dias para o difícil combate. Um helicóptero do governo do Estado foi colocado à disposição nessa terça-feira, 30, porém sua participação foi mínima, limitando-se somente a um sobrevôo.
O piloto da aeronave recebeu ordens para retornar a Piatã e dar cobertura a outra equipe de bombeiros. Falta logística e material. “Estamos trabalhando em dois locais diferentes, em Livramento de Nossa senhora e Piatã por isso dividimos o material para atendermos aos dois locais”, justificou o capitão Murilo do 11º GBM.
O GBM tem área de atuação sobre 82 municípios, somente ao longo da BA 242, na Chapada Diamantina, portanto deveria ter o dobro de bombeiros, sugere a coordenadora do Movimento Ambientalista Gavião, Ana Paula Soares. Ela critica a falta de políticas públicas na prevenção, conscientização e combate aos incêndios que, acredita-se, são criminosos em sua grande maioria.

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