A oposição se articula para evitar uma manobra de aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) que poderia garantir a sua absolvição no plenário do Senado na próxima quinta-feira. DEM e PSDB temem que grande parte da bancada do PT se abstenha na votação, o que beneficiaria o peemedebista --uma vez que os petistas precisam do apoio em massa do PMDB na votação da proposta que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011.
Os dois partidos de oposição pretendem reunir seus líderes partidários nesta terça-feira para discutir estratégias que possam evitar a suposta manobra do PT. As legendas estudam propor o adiamento da sessão para depois da votação da CPMF. pois avaliam que Renan terá o apoio dos governistas como contrapartida à adesão do PMDB na votação da prorrogação da contribuição.
Como seis parlamentares se abstiveram na votação secreta do primeiro processo contra Renan no plenário, a oposição acredita que a mesma estratégia pode ser seguida agora para que o peemedebista escape de perder o mandato.
"Se o governo fechou com o PT a absolvição do Renan, temos que tomar uma providência. Não podemos sacramentar uma ação do Executivo nessa votação. Vamos ver qual a melhor opção no regimento da Casa para impedir esta manobra", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Na primeira votação, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) revelou que foi um dos parlamentares a votar pela abstenção --gesto que nos bastidores teria sido seguido por outros parlamentares da legenda. "O PT foi o responsável pela primeira absolvição. Se o PT desembarcou na canoa do Renan ele vai ser absolvido de novo", disse Demóstenes.
Apesar da pressão do DEM e do PSDB contra a manobra, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) não acredita no adiamento da sessão que vai definir o futuro político de Renan. "Não vejo necessidade de que seja adiada. Se o governo se mobilizar, terá 54 votos no plenário, mas só precisa de 41. A oposição tem 27 votos. Se formos fazer matemática, ele deve ser absolvido", disse Papaléo.
Na opinião do senador, o PMDB não vai permitir o adiamento da votação para depois da análise da CPMF com o objetivo de assegurar a absolvição de Renan. "Ele vai sair beneficiado porque tem que ser essa semana, antes da CPMF. O PMDB não deixaria para depois da CPMF porque sabe que depois disso o PT cassa o Renan", avaliou.
Papaléo defende que, apesar da disputa entre governo e oposição, o julgamento do presidente licenciado do Senado deve seguir aspectos técnicos. "O relatório aprovado no Conselho de Ética é incriminatório, mas temos que fazer uma análise política. Esperamos que não se cometa nenhuma injustiça."
Relatório
No relatório em que pede a cassação de Renan, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) apontou sete indícios para que o senador perca o mandato. O texto será analisado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) nesta quarta-feira e deve ser incluído na pauta do plenário da Casa já na quinta.
Ao contrário do primeiro processo contra Renan, desta vez a sessão será aberta --com a transmissão dos discursos dos parlamentares do próprio peemedebista. A votação dos senadores, no entanto, permanecerá secreta, uma vez que o plenário do Senado não colocou em votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acaba com as votações secretas no Congresso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário