A família da administradora de empresas, a baiana Ana Virginia Moraes Sardinha, 38 anos, vive há cerca de cinco meses um drama sem fronteiras. Após a morte de seu único filho, o menor Leonardo Brittes Sardinha Santos, de 6 anos, durante férias em Portugal, em 5 de julho de 2007, Ana Virginia ficou privada de sua liberdade, sendo decretada sua prisão cautelar, acusada de prática de homicídio qualificado contra seu próprio filho, passando a ficar incomunicável a partir de então.
Porém, segundo a família, Leonardo apresentou quadro convulsivo sendo acudido pela mãe que tentou prestar os primeiros socorros ao filho sem sucesso. A tia do garoto, Ana Rosa Sardinha Lima, disse que a crise convulsiva aconteceu após ter sido medicado com o remédio diário e usual prescrito por médica neurologista brasileira, em tratamento para combater a enfermidade Convulsão Benigna da Infância, diagnosticado há um ano.
De acordo com petição pública endereçada ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro da Justiça do Brasil, Tarso Genro, Ana Rosa Sardinha Lima, relatou os passos de sua irmã em solo português, desde que chegou com seu filho, em 1º de junho de 2007, para passar férias a convite de seu namorado há dois anos, o ex-jogador de futebol de time português, o Benfica, Nuno Guilherme de Almeida Sampaio. “A constatação da morte do filho menor, a impulsionou a situação de tal desespero, que a levou a tentar suicídio, ficando em estado comatoso e de total desequilíbrio emocional”, descreve Ana Rosa, sobre a reação de sua irmã à constatação da morte de Leonardo.
Familiares afirmam que só tomaram conhecimento de que Ana Virginia se encontrava encarcerada no Estabelecimento Prisional de Tires, dez dias após a sua prisão e morte do garoto, e através de terceiros, pois os contatos diários da família com ela e o companheiro haviam cessado. “Em nenhum momento Portugal comunicou sua prisão e a morte do menor à família no Brasil e nem às autoridades brasileiras”, alega a petição pública.
Apesar de não ter sucesso quanto à extradição da baiana, a família conseguiu que o corpo de Leonardo fosse trasladado para o Brasil em 23 de julho de 2007, a fim de receber os rituais religiosos pelo seu falecimento, evitando ser enterrado como indigente no solo português. Na petição pública Ana Rosa Sardinha afirma que sua irmã está sendo mantida presa e incomunicável, ainda sujeita à morosidade das férias forenses de Portugal, em que não há qualquer juiz ou promotor plantonista para conduzir o caso.
Além disso, o processo está vigorando em sigilo processual, o que impede o acesso aos autos, nem por parte do advogado constituído pela família. “Até a presente data, o resultado de perícia médica realizada em Leonardo Brittes ainda não foi divulgado, laudo este que não tem previsão de ser concluído. Ana Virgínia era mantida sedada pelo corpo da administração prisional, passando a conviver e dividir cela com pessoas de alta periculosidade como traficantes de drogas e homicidas”, denuncia.
Durante visita de ontem à Tribuna da Bahia, o cônsul geral de Portugal, João Sabido Costa, foi recebido pelo diretor do jornal Walter Pinheiro, que pediu que ele interfira junto às autoridades de seu país em defesa da baiana Ana Virginia Morais Sardinha. Amigos e familiares pretendem sensibilizar os brasileiros e o Estado para que tomem providências em prol da paz e da liberdade da baiana mantida presa em Portugal e disponibilizam na internet a íntegra da petição pública, fotos e informações pessoais no site: www. anavirginiasardinha.com.br, convocando mobilização popular para a defesa da baiana, no dia 2 de novembro, às 10 horas, em frente ao Farol da Barra, na 1ª Caminhada a favor de Ana Virginia.

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