segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Mortos e feridos dividem espaço em estádio em Salvador

O clima na área externa do estádio Fonte Nova era de gritos, choros, correria e comoção. Antes da chegada dos peritos e das transferências das vítimas para o Instituto Médico Legal e hospitais, os feridos e mortos ficaram juntos, em uma área externa do estádio, cobertos apenas por jornais. Havia muito sangue no local.

Somente com a chegada da PM, o setor foi totalmente isolado. Com as principais ruas e avenidas do centro de Salvador completamente engarrafadas -os torcedores do Bahia faziam festa para comemorar a classificação-, os médicos tiveram dificuldades para levar as vítimas para os hospitais.

Cerca de 500 pessoas acompanharam o trabalho de identificação e remoção dos corpos. Muitos brigaram para ingressar na área restrita, sob a alegação de que queriam saber informações de parentes.

"Nunca pensei que em um dos momentos mais felizes de minha vida [a classificação do Bahia para a Série B] pudesse presenciar uma cena tão chocante. Havia pessoas ensangüentadas, falando coisas desconexas, gritando muito e chorando. Os corpos estavam estendidos, em meio a poças de sangue", afirmou o representante comercial Jorge Santana.

Segundo a PM, parte dos feridos se machucou nas comemorações e na invasão do gramado, e não só no desabamento.

Com 5.000 torcedores invadindo o gramado e outros milhares cantando e dançando nas arquibancadas, poucas pessoas viram o momento da queda de parte do anel superior. "As pessoas estavam em transe, correndo de um lado para outro, quebrando tudo. Achei que fosse morrer pisoteado", afirmou o estudante Carlos Apolinário Mendes.

"Eu estava ao lado da arquibancada que caiu. Tentei ajudar uma menina que estava ao meu lado, mas não consegui. Foi tudo muito rápido", disse o comerciante Adilson Freitas.

À noite, o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, disse que reforçou as equipes médicas de três unidades de referência de Salvador para emergências.

Com a grande quantidade de feridos, muitos torcedores tiveram que ajudar no transporte das vítimas. "Carreguei uma pessoa que estava sangrando na cabeça devido a uma pedrada. Foi uma loucura. As pessoas estavam enlouquecidas", disse o professor Carlos Ribeiro, 39.

Nos hospitais também houve tumultos e a PM foi acionada para impedir a entrada de torcedores. Sem saber da identificação dos mortos e feridos, centenas de torcedores foram aos hospitais pedir informações sobre as vítimas. Quatro horas após o encerramento da partida, ainda havia torcedores fora da Fonte Nova.

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