As bancadas do PSDB e do DEM se reúnem nesta terça-feira para avaliar a confiabilidade do voto de cada senador contrário à proposta de prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011.
Na última quinta-feira, segundo o blog do Josias, as principais lideranças do PSDB se reuniram para solidificar a decisão de votar contra o "imposto do cheque".
Estavam presentes no encontro Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves, Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio. Segundo o blog, deve-se a FHC, sob cuja gestão criou-se a CPMF, a intervenção contra a renovação do "imposto do cheque".
Para o ex-presidente, sem os R$ 40 bilhões proporcionados pela coleta da CPMF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será obrigado a conter os gastos correntes de seu governo e a fazer a reforma tributária.
O governo e a oposição inverteram as estratégias para votar a proposta que prorroga a cobrança da CPMF. Sem o número mínimo de votos para aprovar o "imposto do cheque", o governo, agora, não tem mais pressa em votar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Já a oposição quer acelerar a tramitação da emenda porque conta que tem votos para derrubá-la.
Críticas
Na semana passada, FHC não poupou críticas ao governo Lula nem ao petista. Ele ironizou de forma indireta a baixa escolaridade de Lula ao rebater as acusações de que o PSDB é um partido de elite.
"Aqui [no PSDB] há acadêmicos, e não temos vergonha disso. [...] Faremos o possível e o impossível para que saibam falar bem a nossa língua. É por isso que em Minas Gerais o ensino passou para nove anos, e não quatro. Queremos brasileiros bem-educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria", disse FHC no encerramento do 3º congresso do PSDB, em Brasília.
O ex-presidente disse que uma "elitezinha apressada se abotoou no poder", numa referência direta ao PT. "Somos gente que estuda e trabalha. Trabalha e estuda."
A declaração de FHC irritou integrantes do Planalto. O novo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, foi escolhido porta-voz do governo para falar sobre o assunto. "Conhecendo a biografia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não acho essa uma declaração parecida com sua história nem que engrandece os brasileiros que o admiram", afirmou.
Múcio repetiu uma antiga declaração de Lula e afirmou que FHC não sabe se comportar como ex-presidente. "Gosto muito do modelo americano: o ex-presidente não critica quem está na gestão. Acho [isso] elegante e ajuda o país."
Para o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), a opinião do ex-presidente expressa "arrogância, preconceito e desconhecimento" dos fatos. "De forma indireta, passa o preconceito dele em relação à grande maioria do povo brasileiro que fala como o presidente Lula. Sugiro que ele faça uma comparação entre o que foi realizado no seu governo e o que vem sendo construído no do presidente Lula."

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