Integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) acampados no Projeto Pontal Sul a 23 quilômetros de Petrolina (PE) ocuparam a BR-428 duas vezes em menos de 24 horas. Na terça-feira (23) a ocupação foi de 8h às 17h e nesta quarta-feira (24) das 6h às 11h. A principal reivindicação era para que a água que passa no acampamento que vem do Projeto Pontal fosse religada. A Companhia de Desenvolvimento do São Francisco (Codedasf) cortou o abastecimento do canal desde o último sábado deixando as mais de duas mil pessoas que vivem no acampamento sem água.
De acordo com o coordenador estadual do MST em Petrolina, Florisvaldo Araújo, “água é um direito de todas as pessoas e eles não podem fazer isso com os trabalhadores”. Ele diz que a água foi cortada para forçar as famílias que ocupam a área do Pontal há quase um ano a saírem do local. “Não adianta, eles podem cortar a água quantas vezes quiserem, mas nós não vamos deixar o local nem, com a presença da Polícia Federal”, assegura o coordenador. Segundo o inspetor da PRF Jeremias Almeida, que estava na BR-428 intermediando as negociações, existe uma decisão judicial que impede a Codevasf de continuar a liberação de água ao acampamento pelo canal.
Determinação - “Se preciso for nós ficaremos aqui até quando decidirem nos atender, pois o desejo dos trabalhadores do Pontal é por terra e água, que é um direito que temos”, dizia o integrante do MST Antônio Gerônimo. De acordo com Anísio Filho, da coordenação do MST em Petrolina, a água está vindo via carro-pipa há dez meses, mas o abastecimento foi interrompido e isso acarretou a paralisação da BR-428 com o intuito de chamar a atenção do governo para o problema e forçar o reabastecimento. “Estamos sem água para beber, para fazer comida ou tomar banho. Eles não-podem fazer isso com a gente”, reclamava.
Sem que nenhum representante da Codevasf aparecesse, mas mantendo contato constante com a PRF, foi possível chegar a um acordo de que, caso a rodovia fosse liberada, seis técnicos seriam enviados para fazer a liberação de água para o canal. Uma reunião foi realizada dentro do acampamento para decidir o que fazer. Apesar de muitos resistirem e demonstrarem interesse em só sair depois de ver a água jorrando, as lideranças decidiram por desocupar a pista entendendo que “apesar de ainda não ser o que querermos totalmente houve um avanço nas negociações, já que a Codevasf decidiu soltar água”.
As barreiras foram retiradas e os carros voltaram a trafegar pela BR enquanto os trabalhadores rurais voltavam para o acampamento, mas deixaram um aviso de que “se até hoje, a água não for realmente ligada, cerca de cinco mil trabalhadores rurais organizados estarão preparados para ações maiores que a ocupação de uma BR”. Codevasf e imprensa foram taxadas pelos manifestantes como “órgãos comandados por elites que querem nos massacrar”.


Nenhum comentário:
Postar um comentário