quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cresce número de ciclistas mortos no trânsito de Salvador

Utilizada como meio de transporte para quem precisa fugir do preço do ônibus, a bicicleta tem sido considerada a vilã dos acidentes de trânsito em Salvador. De janeiro a setembro desse ano, foram registrados 250 acidentes com bicicletas. Onze ciclistas morreram. A última vítima foi uma criança de 12 anos, que foi atropelada por um ônibus enquanto se locomovia de bicicleta pela avenida Tancredo Neves, no último dia 02. O número de acidentes de 2007 já é superior ao registrado no ano passado - 232 acidentes, sendo sete fatais. Os dados são da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET).

A falta de ciclo-faixas, espaço para o ciclista junto à faixa de baixa velocidade, nas avenidas de grande circulação da cidade é apontada como uma das causas para a ocorrência de acidentes. “O ciclista divide espaço com ônibus e todo tipo de carro. É arriscado para os dois lados, só que quem vai de bicicleta está mais desprotegido”, explica Orlando Smith, presidente da Federação de Ciclismo da Bahia.

Pistas apropriadas só existem mesmo na orla marítima, na ciclovia que liga o Jardim de Alá ao Corsário - inaugurada pelo prefeito João Henrique (PDT), em 2005 -, no Parque de Pituaçu e na avenida Paralela, próxima ao monumento Luis Eduardo Magalhães. “São pistas para lazer. Não suprem a necessidade de pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Precisamos de faixas exclusivas para os ciclistas dentro da cidade como há na França e na Holanda”, sugere Smith. Uma outra ciclovia foi implantada recentemente em São João do Cabrito.

Outro agravante é a imprudência no trânsito. Muitas vezes, tanto o ciclista quanto o condutor de outros veículos optam por manobras bruscas, sem sinalizar. “Não há lei no Código Nacional de Trânsito que impeça qualquer tipo de veículo de trafegar. Bicicletas e até mesmo condução de tração animal podem circular pela cidade junto aos veículos automotores. Ocorre que é preciso ter cautela”, explica Gisnaia Sampaio, gerente de projeto da SET.

Há também situações em que jovens menores de idade trafegam de bicicleta em locais inapropriados, como ocorreu no último feriado, junto à estação de transbordo Iguatemi.

Proprietária de uma loja especializada em equipamentos e acessórios para bicicletas, em Sussuarana, Cristiane Machado, 30 anos, confessa que não anda de bicicleta nas ruas da cidade. "Tenho medo, sempre acontecem acidentes. É uma pena que não tenha espaço apropriado para os ciclistas nos bairros periféricos" diz.

Segundo a SET, existem dois projetos de ciclo-faixas em andamento. Até o final de dezembro, uma ciclovia deve ser implantada na Alameda da Praia, em Praia do Flamengo. A outra está prevista para ser instalada no canteiro central da avenida Bonocô, mas ainda sem data prevista. "Houve uma reunião na Câmara de Vereadores com ciclistas, agora estamos levando adiante esses projetos", explica Gisnaia Sampaio.

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