Comercializando uma média mensal de 80 mil toneladas de frutas, o Mercado do Produtor de Juazeiro - quinto do país em volume de negócios - movimenta cerca de 50 milhões de reais junto aos produtores e comerciantes. O entreposto, que é conhecido mundialmente por conta na negociação de frutas como: uva, manga, melão e melancia, agora abre espaço para produtos exóticos, como a atemóia, que invadiu timidamente o mercado e assegurou o seu lugar na preferência dos consumidores do mercado externo. Romã, carambola, graviola, umbu, seriguela, kiwi e lixia também são frutas que já vêm sendo cultivadas na região e conquistaram o paladar de apreciadores brasileiros e europeus. Há três anos eram comercializados semanalmente no Mercado do Produtor de Juazeiro uma média de 40 quilos da fruta. Hoje, os números ultrapassam os 1.000 quilos. Dados que a comerciante Suely Xavier comemora com grandes expectativas. “Aos poucos a atemóia vem sendo substituída pela pinha. Vendemos para todas as capitais do Nordeste, para os grandes centros do Brasil. E assim, como exportamos a uva e manga do Vale, estamos comercializando a atemóia para os grandes mercados europeus”, revela.
A produção da fruta ainda é pequena, mas vem crescendo gradativamente, em conseqüência do exigente mercado consumidor. Segundo a pesquisadora na área de produção integrada de frutas e fruticultura da Emprapa, Débora Costa Bastos, atualmente são cultivadas em 35 hectares de área plantada, cadastradas no Vale do São Francisco, cerca de 25 toneladas por ano.
Para Carlonito Dias, coordenador geral do Mercado, as causas desse crescimento são as especialidades da fruta. “O fato de se caracterizar como um produto exótico, a venda da atemóia vem crescendo consideravelmente, atraindo um público específico e exigente. A fruta é diferenciada em seu sabor e formato, por isso é tão atraente”, ressalta.
Em razão do lucrativo retorno comercial que a cultura oferece - porque conta com solo e clima favoráveis, água e uma mão-de-obra especializada que contribuem para a valorização da fruta, especialmente, nas áreas banhadas pelo Rio São Francisco -, o cultivo vem se expandindo. O preço da caixa com 3 a 5 quilos da atemóia é repassado para comerciantes dos grandes centros do País, como São Paulo e Rio de Janeiro, a uma média de 35 a 40 reais.
Pedro Gonzaga, caminhoneiro que carrega a fruta para o Piauí, garante que o preço dos contentores (caixas) não atrapalha a venda da mercadoria. “A aceitação é muito grande, com tendências, cada vez maiores, de expansão. Eu transporto 300 a 400 quilos de atemóia por semana”, conclui.
A atemóia é uma fruta transgênica resultante do cruzamento da pinha com a cherimóia. A fruta é cultivada em algumas regiões hídricas baianas há cinco anos, mas os estudos para ampliação da cultura são recentes e estão em andamento.

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