O nome vai ser motivo de piada caso o Crac (Clube Recreativo e Atlético Catalano) encontre com o Corinthians na Série B do Brasileiro no próximo ano.
Mas o clube de Goiás, vice-líder do octogonal decisivo da Série C (hoje enfrenta o Vila Nova-GO), tem uma inusitada fórmula para se manter que é um sucesso quando comparada com a penúria financeira do gigante paulista, seriamente ameaçado de cair na Série A.
Em regime de comodato, o clube foi cedido à Prefeitura de Catalão por 20 anos. É ela que administra o clube, banca 60% das despesas (avaliadas em R$ 1 milhão só nesta temporada) e corre atrás de patrocinadores para completar o rateio.
E aí o Crac tem um rol de empresas de causar inveja. Fazem parte dela uma subsidiária da Anglo American, uma das três maiores mineradoras do mundo, a John Deere, fábrica americana de tratores e máquinas agrícolas, e a Mitsubishi, montadora japonesa.
Todas essas empresas têm plantas em Catalão, município que cresce muito acima da média nacional e tem alto índice de desenvolvimento humano segundo metodologia criada pela ONU. Todas receberam gordos incentivos fiscais para se instalarem lá.
"Elas nunca falharam com a gente", diz Adib Elias Júnior, prefeito de Catalão e presidente de honra do Crac. Giovani Cortopassi, secretário de Esportes do município e diretor de marketing do clube, é mais direto. "É quase uma obrigação delas [as empresas] ajudarem. E deveriam ajudar mais."
A associação entre o Crac e a prefeitura de sua cidade não tem nada de misterioso, como é comum em outros casos.
"A maneira mais rápida e mais barata de propagar o nome da cidade era através do futebol", diz o prefeito Adib, que logo quando tomou posse no primeiro mandato, em 2001, fez o acordo para tomar o clube em comodato --em troca investiu na sede social do time, que devia na época R$ 576 mil (hoje o clube diz não ter débitos).
A ascensão foi rápida. Em 2004, ganhou o Campeonato Goiano. Agora, faz ótima campanha e está perto do inédito acesso à Série B nacional.
Adib, que não sabe calcular com exatidão o quanto a cidade gastou no Crac, diz que o desempenho do clube não foi essencial na sua carreira até aqui, mas admite que pode ser importante no futuro (tem seu nome cotado para disputar o governo de Goiás em 2010).
"Fui deputado duas vezes sem o Crac, ganhei a eleição para prefeito a primeira vez sem o Crac, mas é claro que a população sabe que o Crac é diretamente ligado ao prefeito", afirma Adib. E ele não toca só a parte administrativa da agremiação, que tem luxos raros para a Série C --mesmo sem ter as despesas bancadas pela CBF, sempre viaja de avião para as cidades mais distantes, numa competição famosa por suas maratonas rodoviárias.
"90% das contratações de jogadores são indicadas por mim. Gosto de futebol e acompanho profundamente os campeonatos, até a Série A-3 de São Paulo", diz o prefeito, que tem Romildo, ex-Atlético-MG, e Tico Mineiro, ex-Botafogo, como principais nomes no elenco do clube que administra.
Invasão
Em 2007, nenhum dos 20 times que disputam a Série B é de Goiás. No próximo ano, podem ser quatro, o que deixaria o Estado só atrás de São Paulo. A invasão pode ter duas frentes. Pela classificação atual da elite, o Goiás estaria rebaixado. Na terceira divisão, 3 dos 8 participantes do octogonal decisivo são goianos. O Crac é o único hoje na zona de acesso, que tem quatro times. Mas Vila Nova e Atlético de Goiás estão na luta. Os dois têm dez pontos, ou só um a menos do que o ABC de Natal, o quarto colocado.

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