No universo dos grandes players do mercado imobiliário baiano, as pequenas e médias empresas encontram seu espaço, mesmo com a excessiva valorização dos terrenos (em algumas regiões da cidade já chegou a 100%), por conta da alta demanda por apartamentos e casas vinda de consumidores e investidores, esses últimos de olho no bom rendimento que podem obter, bem acima do mercado financeiro, dado que as taxas de juros estão em declínio.
Nesse nicho dos pequenos, destaca-se a Santa Clara Engenharia, de Carlos Marden, que vem atuando no mercado há 33 anos. Ontem, durante a XVIII Convenção Anual da Ademi-BA, no Vila Galé Marés, em Guarajuba, que termina no domingo, ele falou das condições do mercado, das pequenas e médias empresas e do que está por vir.
Para enfrentar o desafio de disputar o mercado imobiliário com as grandes, as pequenas e médias empresas, “procuraram remodelar seus produtos de acordo com os padrões exigidos pelos compradores, hoje não se faz mais apenas o playground, com piscina mas agrega-se a ele uma série de serviços de modo compactado, como fitness, equipados, salas de relcs, brinquedoteca, espaço gourmet. Nossos produtos pequenos incorporaram melhoramentos significativos e úteis”, pontua Marden.
Ele comenta que foi preciso aprender a trilhar caminho das pedras “e fazer nossos produtos com recursos próprios vendendo ao longo da execução da obra, mas com aporte financeiro prévio no terreno e na própria obra.
No que diz respeito às linhas de financiamento das instituições bancárias, Marden afirma que o crédito para o pequeno começa a aparecer, “claro, não na mesma proporção ou intensidade com que são contempladas as grandes empresas do mercado imobiliário baiano”.
Na visão de Marden, há um novo mercado, “que é o que a gente ansiava há muito tem tempo no Brasil. Tivemos uma bolha de crescimento nos anos 70 até meados de 80, e depois se configurou o vôo da galinha e péssimos momentos a partir dos anos 90, com o Plano Collor que redundou no confisco da poupança. A situação que já era péssima, se agravou mais ainda depois do afastamento da rede bancária em relação ao crédito”.
“Aliado a isso políticas econômicas mal conduzidas levaram a distorções de preços e inflação que resultaram em distanciamento entre o que cidadão ganhava e as prestações do Sistema Financeiro da Habitação. Elas galopavam sobre o vencimento das pessoas. Criou-se um ambiente em que o sujeito não conseguia pagar as prestações, o que deixou um estigma muito ruim no mercado imobiliário, levando a uma brutal retração por parte dos consumidores que tinham receio em financiar um imóvel”.
Hoje com crédito farto e inflação sob controle, Marden pontua que o novo mundo imobiliário, “se caracteriza pelo fato das empresas estarem vivendo sob o regime de uma estabilidade econômica, que começa com o Plano Real, em 94 e se cristaliza com a estabilidade de preços e inflação, com números anuais como estamos vivendo entre 3% e 4% , o que levou a que os encargos de juros sobre as prestações caíssem e elas se tornassem acessíveis à classe média, que agora vê a possibilidade de pagar as prestações sem receio de se tornar inadimplente. Antes trabalhávamos com juros de 84% ao mês e hoje os juros oficiais são de 11,5% ao ano”.
Marden aprofunda a análise afirmando que a situação pode melhorar mais ainda para a economia e conseqüentemente para o mercado imobiliário, “ porque o Brasil está próximo de obter o investment grande, o que trará fundos de pensão de proventos e aposentadorias europeus e americanos, que são limitados no aspecto institucional e estatutário, porque não podem aplicar o dinheiro dos poupadores em mercados que não apresentem garantias, ou seja, pequena margem de risco. Quando esses recursos chegarem entraremos numa nova etapa”.
Na sua opinião, hoje já se observa no mercado imobiliário uma boa condição, “o dinheiro já chegou para as megaempresas, o que torna a concorrência mais acirrada ainda, principalmente para nós que somos pequenos. De 2005 até agora já foram levantados, por cerca de 22 empresas, algo em torno de R$22 bilhões, parte desses recursos se voltou para o Nordeste e em especial para a Bahia”.
Uma questão que preocupa Marden é a escassez de mão-de-obra e de insumos, por conta do aquecimento do mercado imobiliário.
“Não se pode falar em apagão, mas com relação a operário qualificado já está difícil se obter um carpinteiro, eletricista, ferramenteiro. Na outra ponta o Sinduscon vem fazendo gestão junto ao governo para que possamos ter um pólo de insumos voltados para a construção civil, uma vez que hoje importamos quase tudo, não temos uma fábrica de louça, de ferragens para esquadria, uma fábrica de fios, embora tenhamos a matéria-prima para esses produtos”, concluiu.

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