Numa ação considerada violenta pelos estudantes, a Polícia Federal pôs fim à ocupação de 46 dias da reitoria da Universidade Federal da Bahia. Às 6h da manhã desta quinta-feira, a PF desocupou o prédio cumprindo um mandado de reintegração de posse.Na ação da PF, foram utilizadas bombas de efeito moral que deixaram cerca de 20 estudantes feridos. Quatro estudantes foram presos: o presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFBA, Gabriel Oliveira (História), e os alunos Luciana Barbosa (Medicina), Rodrigo Dantas (Ciências Sociais) e Marcos Grito (Comunicação/UNEB). Eles foram encaminhados à sede da Polícia Federal, onde prestaram depoimento, foram fichados e depois liberados. Os estudantes estiveram no Instituto Médico Legal, nos Barris, onde fizeram exame de corpo de delito.
Os outros manifestantes que ficaram feridos tentaram prestar queixa na sede da Polícia Federal, mas não obtiveram sucesso. A PF alega que, por conta do feriado, este tipo de procedimento está impossibilitado.
A maioria dos estudantes já deixou o Palácio da Reitoria e está reunida na Faculdade de Medicina. Com o aval do diretor da unidade, José Tavares, eles pretendem manter a ocupação neste local com o objetivo de não dispersar o grupo. Na próxima quarta-feira haverá uma assembléia geral para decidir sobre os rumos do movimento. Nos póximos três dias, haverá manifestações nas unidades de ensino da UFBA. Segundo informações da PF, a ordem é desocupar qualquer prédio da universidade que venha ser invadido pelos estudantes.
Em entrevista coletiva, o delegado Rodrigo Bastos, que coordenou a ação, alegou que a PF estava cumprindo uma decisão judicial. ele afirmou que os agentes tiveram uma ação mais enérgica porque houve resistência por parte dos estudantes, que se recusavam a deixar o prédio. Segundo o delegado, alguns estudantes ainda deitaram numa faixa de pedestres em frente à reitoria, bloqueando o trânsito. Isso teria motivado o uso das bombas de efeito moral pelos policiais.
O reitor Naomar de Almeida Filho considerou a ação da Polícia Federal um processo normal. "Se houve esse desfecho, é resposabilidade dos estudantes. A juíza já havia mandado oficiais de justiça solicitando uma saída pacífica, mas eles se negaram a sair", disse Naomar. De acordo o reitor, a reitegração de posse foi a única solução porque "o patrimônio público e o funcionamento normal da universidade estavam ameaçados".

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