segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Quadrilha rouba obras raras do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

Dois livros raros pertencentes ao acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia foram apreendidos pela Polícia Federal, com uma quadrilha detida no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, dia 25. Além da Bahia e do Rio, a quadrilha roubava obras raras em mais quatro estados: Pará, Paraná, São Paulo e Pernambuco.

O IGHB ainda não havia dado por falta de “Viagem às Terras Goyanas”, de Oscar Leal (1892) e The New Brazil – Its Resources and Attractions (1907), de Marie Robinson Wright, até receber da PF nesta segunda, uma lista com 13 livros que estavam em poder da quadrilha presa e poderiam pertencer ao instituto. Na lista também haviam gravuras (de Rugendas e Debret, entre outros), jornais e revistas dos anos 30 e 40, além de periódicos do século XIX, que não fazem parte do acervo do instituto.

O IGHB confirmou no sistema eletrônico que a biblioteca tem dois dos treze livros da lista, mas os exemplares não foram encontrados. Até a manhã desta terça, está previsto o fim da busca no arquivo de fichários, ainda não foi informatizado. Mais livros que constam na lista poderão ser encontrados após a conferência.

A notificação da PF também alertou o IGHB para a ausência de um exemplar de “Rerum per octennium in Brasília et alibi nuper gestarum sub praefectura”, relato do holandês Gaspar Barleus sobre a ocupação do compatriota Maurício de Nassau em Pernambuco, escrito em 1647.
A bibliotecária do IGHB, Maria Augusta Cardoso, já havia dado pela falta do exemplar há cerca de 15 dias, mas disse que pensou que o livro estava fora de lugar: “Quando soube pela televisão da prisão dessa quadrilha comecei a suspeitar de roubo”. Apesar da suspeita, o livro não estava na lista enviada pela PF ao instituto.

Insegurança – No Instituto Histórico, o roubo do livro do holandês causa surpresa. O Barleus que desapareceu tem aproximadamente 40 cm por 30 cm, com 10 cm de largura – um pouco menor do que o outro exemplar que a biblioteca possui, mas ainda assim difícil de esconder, e ser carregado discretamente.

Quem deseja consultar o acervo do IGHB, deve se registrar na portaria e apresentar identidade. Na biblioteca, o usuário pede o livro à bibliotecária ou a um de seus três auxiliares, e recebem o exemplar na mesa, sem acesso direto às estantes. Só há duas saídas na biblioteca: uma para o público em geral e outra exclusiva para funcionários.

De acordo com Consuelo Pondé, o sumiço dos volumes não é caso inédito. Vários sócios do Instituto já teriam roubado livros. “Recebi de volta da Fundação Moreira Salles um exemplar de fotografias de Alfredo Barros, sobre a Guerra de Canudos. Eles compraram o livro roubado por R$ 25 mil”. Ela não diz o nome dos sócios que teriam roubado o Instituto: “Não vou falar nomes porque muitos deles já faleceram. Além disso, é gente muito importante. Teria que brigar com a Bahia inteira”.

Consuelo Pondé também reclama do pouco dinheiro que tem para administrar o IGHB: “Recebo R$ 10 mil, enquanto a Academia Baiana de Letras tem R$ 25 mil por mês. Não quero milhões, mas essa distribuição é injusta. Se precisar mandar buscar nossos livros roubados, não vou ter dinheiro”.

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