sábado, 3 de novembro de 2007

Cursos de direito e administração são os mais procurados para nova habilitação

Os cursos de direito e administração são os mais procurados pelos profissionais que já atuam no mercado e voltam aos bancos das faculdades para uma nova graduação. No caso de direito, para muitos alunos a principal motivação é se habilitar para disputar concursos públicos na área jurídica, que oferecem salários bem mais atraentes que os direcionados às demais categorias. Na Faculdade de Tecnologia Empresarial (FTE), por exemplo, a coordenadora do curso, professora Ana Paula Lima Leal, arrisca um palpite com base nas pesquisas que costuma fazer com os estudantes: “90% dos que fazem direito como segunda graduação pretendem fazer concursos”.

Uma opção mais do que compreensível. Afinal, fora o status da profissão está o sonho da estabilidade financeira. Os concursos da área chegam a oferecer salários de quase R$20 mil, como é o caso dos realizados para os cargos de procurador da República e do trabalho. “E é um concurso que acontece praticamente todos os anos, porque, geralmente, não preenche todas as vagas”, acrescenta Ana Paula Leal, chamando atenção para a importância dos candidatos estarem bem preparados para enfrentar a concorrência, sempre acirrada.

Outro exemplo citado pela professora foi o concurso para procurador do município, com salário inicial em torno de R$8 mil, que atraiu cerca de seis mil candidatos para 35 vagas. “Só 30 foram classificados e será necessário realizar outro concurso para preencher as vagas”, observa, lembrando que a Justiça do Trabalho também vai abrir concurso para oficiais de justiça, de nível superior, com o “tentador” salário de aproximadamente R$12 mil.

Entre os 10% de alunos que não visam a estabilidade do serviço público, Ana Paula Leal identifica aqueles que optaram por outros rumos profissionais e agora, com a carreira já consolidada, decidem retomar projetos de vida que tinham ficado para trás. “O mercado já disse para os profissionais, muitas vezes da forma mais difícil, que não basta mais ter apenas uma graduação”, diz ela, explicando que cada vez um número maior opta por uma segunda habilitação em lugar de cursos de pós-graduação. Quem já fez uma graduação tem a vantagem de aproveitar disciplinas já cursadas, reduzindo o tempo do segundo curso. O de direito, segundo a professora, tem baixo índice de evasão.

No caso de administração, na avaliação do professor Jô Vieira, coordenador do curso da FTE, muitos alunos de segunda graduação são profissionais que passaram a ocupar funções de gestor em empresas. “Eles percebem que têm vocação para ser empreendedores e sentem a necessidade de fazer graduação na área para adquirir conhecimentos básicos”, explica. Ele compara a graduação com a floresta e os cursos de pós com as árvores, ponderando que, após a formação, os profissionais podem complementar a qualificação através de cursos de especialização.

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