Mesmo longe das atividades da paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, padre Júlio é lembrado em todas as missas. Nesta sexta-feira (2), a celebração foi especial. Os fiéis se reuniram na igreja para mostrar solidariedade ao religioso. Depois, rezando e cantando, saíram em caminhada até a casa onde o padre mora. Os representantes da comunidade e de movimentos sociais foram recebidos no portão pelo padre Júlio Lancelotti. Abatido, ele se emocionou com as manifestações de apoio.
Na porta de casa, o padre Júlio Lancelotti quebrou o silêncio dos últimos dias. Agradeceu o carinho das pessoas e se defendeu da acusação de corrupção de menores. Também disse que não desviou dinheiro das obras sociais para pagar os acusados de extorsão. “Eu nunca tive acesso a nenhum recurso da entidade Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto e nem tenho acesso as contas da Casa Vida”, afirmou o padre.
Há três inquéritos sobre o caso em andamento. O de extorsão, enriquecimento ilícito contra o ex-interno da Febem Anderson Batista e o de corrupção de menores contra o padre Júlio. Nessa investigação a polícia tenta localizar outros ex-internos da Febem para que prestem depoimento. “Disseram que tinha um relacionamento com uma dessas pessoas. Se eu tivesse (um relacionamento homossexual)por que eu gravaria? Ele poderia em qualquer momento da gravação dizer: e o nosso caso?”, disse Lancellotti, referindo-se às escutas telefônicas feitas a pedido do religioso após ter denunciado as extorsões para a polícia.
No inquérito sobre a extorsão, a polícia deve ouvir na semana que vem oito pessoas, entre elas, o zelador e porteiro do prédio onde foram presos o ex-interno da Febem, Anderson Batista e a mulher dele.

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