domingo, 28 de outubro de 2007

Boca-de-urna aponta vitória de Cristina Kirchner na Argentina

Pesquisa de boca-de-urna divulgada na tarde deste domingo (28) aponta que a candidata Cristina Fernández de Kirchner será eleita em primeiro turno a nova presidente da Argentina.

Segundo a agência de notícias Reuters, ela teve pelo menos 42% dos votos, dizem as pesquisas das redes Cronica TV, America e Todo Noticias. Com esta margem, ela seria eleita por ter mais de 40% dos votos válidos e mais de dez pontos percentuais de diferença em relação à segunda colocada, Elisa Carrió, conforme a legislação eleitoral do país.

As agências Efe e France Presse apontam uma vantagem ainda maior, e dizem que ela vai ser eleita com 46% dos votos válidos no primeiro turno. A eleição é definida no primeiro turno se ela tiver mais de 45%, diz a lei.

Assim que o resultado da pesquisa foi anunciado, os partidários da primeira-dama começaram uma festa no "bunker" da candidata, no hotel intercontinental, no centro de Buenos Aires.

Se essa tendência se confirmar na apuração dos votos, ela se tornará a primeira mulher a ser eleita presidente no país.

A Argentina já foi presidida por uma mulher, Maria Estela Martínez de Perón, conhecida como Isabelita, entre 1974 e 1976. Mas ela assumiu o cargo porque era vice do então presidente Juan Domingo Perón, seu marido, que morreu.

O maior cabo-eleitoral de Cristina Kirchner nesta eleição foi o bom desempenho da economia nesses quatro anos e meio. Apesar de a inflação ter crescido muito e incomodado os argentinos neste ano, a redução do desemprego e a melhoria dos salários, principalmente da classe baixa e média-baixa, acabaram revertendo em votos para a primeira-dama.

Mas não foi apenas essa a contribuição do presidente. Analistas políticos argentinos entrevistados pelo G1 nesta semana foram unânimes em afirmar que o governo manipulou para baixo os índices oficiais de inflação e adotou medidas populistas neste ano eleitoral, como a manutenção das tarifas públicas (energia e transporte, principalmente) a preços muito baixos e a aceleração de programas de distribuição de renda para os mais pobres - justamente a faixa da população que pode eleger Cristina.

Com ajuda do marido, Cristina Kirchner deve ser eleita 1ª presidenta argentina

Segundo a imprensa argentina, as pesquisas de boca-de-urna também confirmam a vitória de Daniel Cioli para governar a província de Buenos Aires, a mais populosa e mais rica do país.

Denúncias
As duas principais forças de oposição na Argentina, a Coalizão Cívica (liberais e socialistas) e a frente UNA (peronistas dissidentes e social-democratas), denunciaram irregularidades na votação presidencial deste domingo.

"Nós, representantes de diversas forças da oposição, denunciamos um roubo massivo de cédulas da oposição. Colocávamos mais cédulas e dez ou 15 minutos depois já não havia mais", disse à rádio Mitre María Eugenia Estenssoro, candidata ao senado pela Coalizão Cívica na cidade de Buenos Aires.

Na Argentina a eleição é feita com cédulas de papel. Os eleitores entram em um compartimento onde escolhem as cédulas com os nomes de seus candidatos, que colocam em um envelope e fecham, para em seguida sair e depositá-lo na urna.

Atrasos e filasAs autoridades eleitorais da argentina tiveram que prorrogar a votação por uma hora por causa dos atrasos e enormes filas da eleição. Em vez de as seções eleitorais encerrarem a votação às 18h locais, elas continuaram recebendo eleitores até as 19h (20h em Brasília). O motivo dos atrasos foi especialmente a falta de mesários nas seções eleitorais.

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