quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Aumenta pressão por renúncia de chefe de polícia de Londres, dizem jornais

Os principais jornais britânicos destacam nesta quinta-feira o aumento da pressão para a renúncia do chefe da polícia de Londres, Ian Blair, após ele ter sofrido um voto de desconfiança na assembléia londrina, na véspera, e com a expectativa da divulgação de um novo relatório da comissão independente que investiga a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes.

"Pressão se acumula sobre o desafiador chefe da polícia metropolitana", diz a principal manchete do jornal "The Guardian", em referência às declarações de Ian Blair, na quarta-feira, de que permanecerá no cargo, apesar das pressões.

Na semana passada, a Justiça britânica já havia condenado a polícia de Londres por colocar a segurança pública em risco no episódio que resultou na morte do brasileiro.

Jean Charles foi morto pela polícia em um vagão do metrô de Londres após ser confundido com um suposto homem-bomba. O incidente ocorreu um dia após uma série de atentados frustrados e duas semanas após os atentados que mataram mais de 50 pessoas no sistema de transportes da capital britânica.

"Sir Ian Blair se encontrará novamente lutando para manter seu posto hoje, quando um relatório oficial sobre a morte de Jean Charles de Menezes destacará os múltiplos erros que levaram à sua morte e identificará 16 áreas nas quais a polícia precisa mudar para prevenir uma repetição da tragédia", diz o diário.

A reportagem observa que, na véspera, Blair "se tornou o primeiro comandante da polícia metropolitana a ouvir da assembléia de Londres que ele havia perdido a sua confiança e que deveria renunciar".

O jornal "The Times", por sua vez, observa que a crescente pressão sobre o comandante da polícia "forçou a ministra do Interior, Jacqui Smith, a endossar sua liderança pela segunda vez em uma semana".

Segundo o diário, a permanência de Blair no cargo somente está sendo possível pela ausência de algum nome "óbvio" para substituí-lo.

"Mas se as especulações sobre seu futuro continuarem, acreditam políticos, ele terá se tornado uma distração para o cargo que tem nas mãos e sua posição ficará insustentável", diz a reportagem.

O tablóide Daily Mirror observa que, mesmo com o voto de desconfiança da assembléia, Ian Blair disse que "seguirá com seu trabalho" e que só deixará seu cargo se perder a confiança de seus comandados ou do governo.

A reportagem lembra que o comandante da polícia já teve que pedir desculpas publicamente por outros casos de erros da polícia e questiona em seu título: "O que mais será preciso, sir Ian?".
O jornal relata ainda que durante o debate na assembléia antes da votação do voto de desconfiança, Blair desafiou os membros da casa: "Se vocês têm o poder de me remover, sigam adiante".

Outro tablóide, o jornal "Daily Mail", comenta em sua reportagem que Ian Blair deve enfrentar um novo voto de desconfiança, na próxima quinta-feira, quando a Autoridade da Polícia Metropolitana, o órgão executivo de controle da polícia, terá uma reunião de emergência para discutir sua situação.

"Ao contrário da assembléia de Londres, a Autoridade da Polícia Metropolitana tem o poder de forçar a saída de sir Ian, mas somente com a aprovação da ministra do Interior, Jacqui Smith, que ontem continuava o apoiando", diz a reportagem.

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