Meningococcemia é a doença que vitimou o jornalista Vanderlei Carvalho, 47, morto na madrugada da última sexta-feira. Após especulações de infarto e meningite, o que ele teve foi uma infecção generalizada provocada pela doença meningocócica (infecção bacteriana aguda), causadora também da meningite, que é a inflamação no sistema nervoso central. O resultado dos exames foi divulgado nesta segunda. A doença é a mesma que matou o músico da Banda Eva, Fabrício Scaldaferry, em julho passado.
Este ano, a Bahia já registrou 102 casos de doença meningocócica, sendo 21 na capital, contra o total de 133 no ano passado. Há alguns meses, Salvador enfrentou um surto de meningite viral (742 casos este ano, contra 404 em 2006), mas a diretora epidemiológica garante que isso nada tem a ver com o caso de Vanderlei.
As pessoas que tiveram contato próximo com Vanderlei, antes da morte, tiveram de passar pelo procedimento preventivo da doença, conhecido por quimioprofilaxia (ingestão de medicamento específico). De acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica, Alcina Andrade, vinculada à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), passam pelo procedimento apenas pessoas que mantiveram contato íntimo e prolongado com a vítima, como os residentes na mesma casa. A meningococcemia é transmitida apenas por via aérea e secreções, em locais fechados.
Segundo Cristina Prado, funcionária da Contraponto, empresa de comunicação dirigida por Vanderlei, três profissionais foram orientados a se submeter à profilaxia, desde a noite de domingo.
Da casa onde morava, teriam sido medicados também o sobrinho dele, Ítalo, e o secretário. Ontem, a empresa divulgou um comunicado, no qual diz: “Mesmo que remotamente alguém tenha sido infectado, não há riscos de transmissão para outras pessoas e o tratamento indicado elimina toda e qualquer possibilidade de evolução da doença”.
Gravidade – A meningococcemia é uma infecção sistêmica que leva a um quadro de choque no organismo e não tem sintomas específicos. “É um quadro grave, cuja evolução é muito rápida e o período que o médico tem para diagnosticar é muito curto”, explica Alcina Andrade. Segundo ela, a doença é uma forma ainda mais grave que a meningite bacteriana. “A meningococcemia tem um curso fulminante”, confirma a infectologista Jaci Andrade, médica de Vanderlei há 11 anos, desde que ele havia descoberto ser soropositivo.
Carga viral – “A forma como a doença se manifesta depende da condição pessoal do indivíduo”, revela Alcina. Jaci, que acompanhou o paciente nos últimos momentos, garante que ele estava em estado controlado, com carga viral zerada, mas não pode garantir se uma baixa imunidade interferiu para a propagação da infecção.
O diagnóstico geralmente é feito por cultura de sangue, que leva em torno de 48h para dar resultado. Antes mesmo de fazer os exames, no entanto, o paciente sob suspeita da doença meningocócica deve ser medicado com antibióticos que garantem o tratamento. “Qualquer médico tem condições de diagnosticar, mas na fase inicial é ainda mais difícil. Confunde mesmo“, avalia Alcina.
Vanderlei Carvalho deu entrada na emergência do Hospital Aliança, por volta das 14h da última quinta-feira. Segundo Jaci Andrade, durante a manhã ele já havia telefonado para ela se queixando que não estava bem.
Com a indicação dela para que procurasse logo um hospital, o jornalista foi internado. No início da noite, a médica esteve no Aliança, encontrando o paciente em estado febril. Segundo ela, ele foi atendido por uma colega, desde o início, tendo sido tomadas todas as medidas necessárias.
“Ele teve assistência desde o momento em que chegou lá”, assegura. Vanderlei chegou a tomar antibióticos que abrangem o combate à meningococcemia, mas terminou não sendo suficiente para o estágio em que se encontrava a doença. Com o isolamento da bactéria, a confirmação de infecção generalizada só veio depois da morte do paciente. “Ele era um grande amigo, uma pessoa admirável”, lamenta Jaci.

Nenhum comentário:
Postar um comentário