Ao visitar o túmulo do filho no último Dia de Finados (2), a dona-de-casa Patrícia Sena e o policial militar Élio Sena tiveram uma surpresa: a sepultura havia sumido e os restos mortais, transferidos.Em 1996, Tiago Henrique, um bebê prematuro, foi enterrado no Cemitério de Taguatinga, cidade próxima a Brasília. “Quando chegamos aqui não tinha mais nada. Fiquei espantada”, relata Patrícia.
“Fui com o meu pai na administração saber o que tinha acontecido e me pediram o nome dele (do filho). Digitaram no computador e disseram que realmente tinha sido retirado de lá, que o Diário Oficial informava que ia ser retirado. Aí, eu disse que o meu estava pago até 2011”, relata Patrícia.
Inconformado, Élio Sena procurou informações no Diário Oficial, mas não encontrou nenhum comunicado sobre os restos mortais do filho. Segundo ele, a administração do cemitério argumentou que um decreto de 1999 autoriza a retirada dos corpos de pessoas que foram enterradas de graça. Mas esse, no entanto, não é o caso do filho do casal.
“Eu quero que o lugar de direito dele após o falecimento seja dele novamente. Inclusive, não enterraram ninguém no local. Então, é melhor que o lugar dele seja resguardado. Eu quero que ele seja colocado de volta”, diz Élio Sena.
A denúncia chegou à Ouvidoria da Câmara Legislativa, que deve investigar o caso.
Outro lado
Procurado pelo G1, o diretor da concessionária que administra os cemitérios do DF, Rodrigo Macedo, afirmou que a área para sepultamento do cemitério estava praticamente esgotada.
Como resultado de um convênio firmado com o governo do Distrito Federal, a concessionária decidiu remover os sepultamentos feitos há 10 anos ou mais no Cemitério de Taguatinga. Eles foram deslocados para outra área do cemitério, com o intuito de melhorar o aproveitamento da área (diminuindo a distância entre as sepulturas, por exemplo).
“Foi feita uma convocação, através de edital, publicada nos jornais de maior circulação do DF e no Diário Oficial, pedindo que os familiares dessas sepulturas comparecessem ao cemitério para verificar a situação das sepulturas”, diz Macedo. “No caso das famílias que não nos encontraram, foi feita a exumação da sepultura, identificada e guardada no nosso cemitério”, explicou.
Segundo Rodrigo Macedo, a família de Tiago Henrique pode procurar a concessionária que administra os cemitérios para reaver a sepultura do filho e decidir sobre o local onde será colocada.

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