Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam, desde sábado, a fazenda São Sebastião, do pecuarista Wilson Paes Cardoso, um dos maiores produtores de gado da Bahia e o principal da Chapada Diamantina. A Justiça do município de Ibiquera (a 367 km de Salvador), onde está situada a propriedade, concedeu reintegração de posse, mas os sem-terra disseram que só saem expulsos pela polícia.Um grupo de produtores e diretores de entidades da categoria, em vários municípios, rumaram nesta segunda para Ibiquera, para promover uma movimentação em solidariedade a Cardoso. Até o deputado José Neto (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa, esteve na propriedade e tentou estabelecer um canal de negociação.
No final da tarde, um oficial de Justiça chegou à fazenda, também conhecida como Mulungu, e leu o mandado de reintegração de posse. Os sem-terra reagiram gritando que não assinariam e um dos coordenadores do movimento, Gilmário Machado da Cruz, disse que, por decisão de todos, só deixariam o local se homens da PM fossem mobilizados para garantir o cumprimento da ordem judicial.
Pressão – Um dos integrantes do movimento informou que a ocupação reunia cerca de 60 famílias. O pecuarista disse que eles são pouco mais de 30. Nas assembléias durante as negociações, participavam cerca de 40 sem-terra. De acordo com Gilmário da Cruz, a ocupação tem o objetivo pressionar o Incra a solucionar o problema de 150 famílias de Ibiquera que precisam de terra, além de resolver, de uma vez por todas, a situação de outras dezenas de sem-terra, acampados nas margens de estradas, em outros municípios.
O produtor Wilson Cardoso alegou que não tinha sentido o MST ocupar uma fazenda que pode ser considerada produtiva, porque tem atualmente 1.432 cabeças de gado. “O Incra é que vai dizer se é produtiva ou não”, disse Cruz.
O deputado José Neto e o prefeito de Nova Redenção, Ivan Soares (PT), conversaram por cerca de meia hora com os sem-terra. O parlamentar lembrou que tem uma história política em defesa do MST, porém argumentou que a fazenda é produtiva e que Cardoso é “um companheiro”. O pecuarista se filiou ao PSB, que faz parte da base governista. “Pode ser esta fazenda, ou outra. O Incra é que vai decidir. Temos outras áreas em vista e o órgão sabe disso. O que nós queremos é uma providência concreta, pois já estamos cansados de promessas, de compromissos até escritos e não cumpridos. Estamos no governo de Lula e de Wagner e ainda não vimos reforma agrária”, argumentou o coordenador, na conversa com o deputado e o prefeito.
O sem terra não entraram na casa sede da fazenda. Todos estão no curral e, nesta segunda, começaram a fazer as primeira barracas de lona. No domingo, Cardoso consegui demover alguns deles de continuarem no local. Ele é presidente do Sindicato dos Produtores de Andaraí, com área de atuação em outros nove municípios.

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