sábado, 24 de novembro de 2007

Arcebispo de SP dom Odilo Scherer é nomeado cardeal pelo papa

O papa Bento 16 nomeou neste sábado o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, entre os novos 23 cardeais de diversas parte do mundo.

Dom Odilo, 58 anos, nasceu em Cerro Largo, Rio Grande do Sul, e assumiu a Arquidiocese de São Paulo em abril deste ano. Antes de ser nomeado arcebispo, ele ocupou os cargos de secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de bispo auxiliar de São Paulo.

Os cardeais são os religiosos mais próximos do papa. Eles comandam as maiores dioceses da Igreja no mundo, os departamentos do Vaticano e assessoram o líder da Igreja Católica em temas que vão da fé a finanças.

A Arquidiocese de São Paulo tem 5,93 milhões de católicos, 84 por cento da população, perdendo apenas para Cidade do México e Guadalajara, também no México, segundo dados levantados pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Dom Odilo Scherer substituiu na arquidiocese paulista a dom Cláudio Hummes, que foi indicado no ano passado pelo papa Bento 16 para o cargo de prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano.

O novo cardeal Scherer retorna à São Paulo na próxima sexta-feira e terá uma recepção solene com cardeais, bispos, clero e autoridades civis na Catedral da Sé, no domingo, informou a Arquidiocese de São Paulo.

CARDEAL EM BAGDÁ
Ao ordenar os 23 cardeais em cerimônia na Basílica de São Pedro, o papa fez um apelo pelo fim da guerra no Iraque e denunciou o sofrimento da minoria cristã no país.

Um dos novos cardeais, Emmanuel Delly, tem base em Bagdá e é líder dos católicos caldeus, maior grupo cristão do Iraque. Os outros novos cardeais atuam na Itália, Irlanda, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Índia, Argentina, Quênia, México, Polônia, Senegal e França, além do Brasil.

Falando de Delly, Bento 16 afirmou que os cristãos no Iraque estão "sentido na própria carne os resultados dramáticos do longo conflito."

Os rituais dos caldeus estão entre os mais antigos da Igreja Católica, e o Iraque é um dos países com uma das mais antigas tradições cristãs. No entanto, por conta da guerra, os fiéis estão emigrando, e a população cristã diminuindo.

"Vamos juntos reafirmar a solidariedade de toda a Igreja com os cristãos daquela terra amada, e vamos pedir ao Deus misericordioso a reconciliação e a paz entre todas as pessoas envolvidas (no conflito)", afirmou Bento 16, durante o seu sermão.

O papa disse que havia escolhido o religioso do Iraque como cardeal para mostrar a proximidade espiritual do Vaticano com os iraquianos. O cardeal Delly foi muito aplaudido durante a cerimônia. Na platéia, um grupo balançava bandeiras do Iraque.

Dos novos cardeais, 18 têm menos de 80 anos e, portanto, podem fazer parte do grupo que em reunião secreta elege o papa. Os outros cinco, incluindo Delly, têm mais de 80 anos e recebem a promoção por razões simbólicas ou como reconhecimento por serviços prestados.

Essa foi a segunda vez desde a sua eleição, em abril de 2005, que papa ordena novos cardeais. Em março de 2006, foram 15.

O antecessor de Bento 16, João Paulo 2 realizou nove cerimônias como essa em 26 anos no comando do Vaticano e fez mais de 200 cardeais. De todos os cardeais que escolheram o seu sucessor, após a sua morte, somente dois não haviam sido promovidos por João Paulo.

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