O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, montou uma série de pequenos negócios de fachada para lavar o dinheiro da venda de maconha e cocaína. A quadrilha do traficante abriu lan houses e empresas de lava-rápido no complexo da favela Beira-Mar, no Rio de Janeiro.
Ele também comprou automóveis, investiu na locação de imóveis e adquiriu uma fazenda de luxo no município paraguaio de Cerro Vinte Uno, próximo à fronteira com Mato Grosso, onde tirou fotos pilotando um jet-ski nos tempos em que estava escondido, em 1999. A fazenda tinha lagoas para reprodução de peixe, piscina, pista de pouso e criação de cavalos.
As informações constam do levantamento inicial que a Polícia Federal fez em documentos, programas de computador e bens apreendidos na Operação Fênix, desencadeada anteontem em quatro Estados para combater a ação da quadrilha de Beira-Mar.
Onze pessoas foram presas, entre elas a mulher do traficante, Jacqueline Alcântara de Moraes, 32, transferida ontem com mais quatro presos para o Paraná. Outras quatro pessoas também devem ser levadas para o Estado, onde estão concentradas as investigações.
Beira-Mar é investigado há 18 meses. Segundo a PF, mesmo em presídios federais de segurança máxima, como o de Catanduvas (PR), ele conseguia dar ordens para para manter o tráfico de drogas.
De acordo com o delegado Wagner Mesquita, da Coordenação Especial de Fronteiras Sul da PF, ainda não é possível saber quanto a quadrilha movimentou. Ele afirmou, no entanto, que pela quantidade de cocaína (750 quilos) e maconha (3,7 toneladas) apreendida, é possível ter uma idéia do poder de articulação da quadrilha.
"Eles são muito profissionais e procuravam diversificar os negócios. Não usavam nenhum meio on-line e criavam canais informais de lavagens de dinheiro, como essas lan houses e empresas de lava-rápido."
Mesquita disse que a quadrilha esteve ainda em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, estudando comprar uma fazenda equipada com pista para pouso de pequenos aviões usados no transporte da droga. "A continuidade das investigações vai nos dizer se eles conseguiram ou não comprar o imóvel."
Segundo o delegado, a partir do momento em que Beira-Mar foi transferido para Catanduvas (PR) e depois para Campo Grande (MS), os contatos deixaram de ser feitos pelo celular e passaram a contar com o intermédio de sua mulher, promovida a negociadora direta do tráfico de drogas da quadrilha depois do desaparecimento do advogado do traficante, João Kolling.
Em Catanduvas, onde ficou preso até julho deste ano, Beira-Mar alugou duas casas e manteve uma frota de táxis para ajudar no deslocamento de familiares e advogados.
Os imóveis também eram usados por parentes de outros detentos da penitenciária. "Assim, ele criava uma integração entre os presos", afirmou Mesquita.

Nenhum comentário:
Postar um comentário